A morte de Zampirolli 

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  Eu sou como um vagalume, faço poucas conexões, mas todas elas são profundas. No futuro, quando a minha aventura terrena chegar ao fim, o mundo ainda terá boa parte de mim em minhas obras. Desejo ser como Van Gogh. Pois, como escritor, a sede por sucesso corre em minhas veias. A ambição de conquistar leitores grita alto. A frustração de não alcançar tantos corações quanto gostaria grita mais alto ainda.

  Certa vez, me disseram que os escritores estão destinados ao sofrimento. Por isso, as obras são tão sentimentais e verdadeiras. Quanto mais um escritor sofre, melhor ele escreve? Certa vez, cheguei a concordar com essa afirmação. Mas será que algum dia as minhas memórias póstumas poderão motivar algum coração?

   Aos 21 anos, eu publiquei 7 livros e escrevi mais de 150 poesias. Mas ainda existe uma voz em minha cabeça que diz: ainda não é suficiente. Os números são baixos, as vendas são inexistentes e, mesmo assim, eu continuo escrevendo. Mesmo que ninguém leia, hoje ou em algum dia.

Talvez a sede em fazer sucesso não seja o que alimenta a minha vontade de continuar publicando.

   É justamente o fato de não ter conseguido leitores que me faz continuar. Porque ainda não conquistei o que queria. Um livro sem leitores é como um mundo sem pessoas. São as palavras que não se conectam entre si. Eu escrevo porque só dessa forma é que existo. Tenho necessidade da minha própria escrita. De alguma forma, colocar para fora o que sinto.

   Meus livros não são bons. E admitir isso exige mais coragem do que muitos escritores famosos têm. Eu sei que é exagero dizer que não são bons. Mas eu não os criei para serem bons. Eu os criei para serem atemporais. Nem sempre o que se escreve é bom. Às vezes, é necessário. É visceral.

   Quando Bruno Zampirolli morrer, com ele morrerá o sonho de um dia fazer sucesso. Suas obras ficarão perdidas em meio às prateleiras, palavras jogadas ao vento. Sentimentos de um autor melancólico. Eu prefiro continuar do que admitir que o que faço não me trará êxito.

   Comigo, morrerão os meus sonhos e as minhas ambições… Mas os meus personagens e minhas histórias viverão para sempre… Bem como as pessoas ao meu redor, que são as inspirações de um universo literário.

   Eu sou a pessoa que nunca foi correspondida… No meu caminho, existem duas estradas. Estrada número 1: viver soterrado pelas lágrimas de uma vida vazia e sem amor. Estrada número 2: transformar essa solidão em histórias para que pessoas, assim como eu, possam se sentir menos sozinhas.

   A morte de Zampirolli irá chegar. E, quando chegar, talvez o mundo se arrependa de não ter lhe dado o devido valor. Ou talvez finalmente o silêncio chegue. E, com ele, o fim do meu tormento.

   O escritor que passou boa parte da carreira duvidando de si mesmo. O impostor da própria história. Mas ele é mais do que fã da cultura pop, ele é mais do que um poeta obcecado pela Taylor Swift. Zampirolli é gentil, no seu vasto coração couberam muitas pessoas. Ele ajudava as pessoas e transformava o mundo com um olhar crítico, na base do Direito e da justiça.

   Ele também ri sozinho das próprias piadas. Ele ama casquinha mista com chocolate e baunilha, adora pizzas, gatos e lasanha. Odeia lugares com muitos estímulos, mas adora uma festinha… Ele ama profundamente o mundo e as pessoas, é apaixonado pela arte em suas versões mais cruas.

  Sonha em conhecer Paris e Veneza. Almeja conquistar novos leitores e continuar escrevendo. Continuar a nadar. Mas, acima de tudo, Bruno sonha com a própria morte.

Meus pêsames, Zampirolli.

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